O Diálogo Crítico no 57º Leilão: Leirner e Antonio Henrique do Amaral


Vanguarda, crítica e ironia: obras de Nelson Leirner e Antonio Henrique do Amaral no Leilão

A curadoria do 57º Leilão de Arte Magalhães Gouvêa oferece uma oportunidade rara de imersão na crítica social e conceitual da arte brasileira. Entre os mais de 140 lotes, destacamos duas obras de profundo significado histórico e artístico que, embora distintas em sua linguagem, compartilham o mesmo impulso de questionar e subverter: as peças icônicas de Antonio Henrique do Amaral e Nelson Leirner.

O leilão, com exposição aberta ao público em nossa sede nos Jardins, serve como palco para este poderoso diálogo entre dois grandes mestres.


A força da figura: Antonio Henrique do Amaral e a crítica da banana

Antonio Henrique do Amaral (1935–2010) é um artista essencial para entender o período pós-guerra no Brasil. Em sua fase mais celebrada, o artista utilizou o ícone da banana como um símbolo ambíguo da identidade nacional, da opulência tropical e, sobretudo, da fragilidade política e da exploração.

A obra Bananas Inclinadas (1971), presente em nosso catálogo, é um exemplar potente e visualmente explosivo desse período. Ao fundir a Pop Art com a densidade política, Amaral entrega mais do que uma natureza-morta: ele cria uma figura que é simultaneamente convidativa e incômoda. O trabalho reflete a efervescência e a angústia do contexto da ditadura militar, usando a figura como um espelho crítico. Para o colecionador, adquirir esta peça é incorporar um marco do debate estético e político da arte latino-americana.


A subversão do conceito: Nelson Leirner e o poder da ideia

Em contraponto à força da figura de Amaral, o 57º Leilão apresenta a inteligência conceitual de Nelson Leirner (1932–2020), um dos artistas mais irreverentes e importantes de sua geração. Leirner usa o humor, a apropriação e a intervenção para questionar as instituições de arte, a autoria e o próprio objeto artístico.

Sua obra Homenagem a Fontana II (1967) é um estudo de caso brilhante. Ao referenciar o gesto revolucionário de Lucio Fontana (o corte na tela) — um ícone da arte moderna que buscava a transcendência —, Leirner o subverte com sua ironia característica. A obra convida à reflexão: o que é arte? Quem a valida? A peça é uma adição essencial para coleções que valorizam não apenas a estética, mas a ideia e o discurso crítico que movem a produção artística contemporânea.


Participe do 57º Leilão de Arte Magalhães Gouvêa

Juntos, Antonio Henrique do Amaral e Nelson Leirner compõem um dos principais eixos da curadoria do nosso 57º Leilão, demonstrando que a arte pode ser tão poderosa em sua representação visual quanto em seu questionamento intelectual.

Convidamos você a vivenciar este diálogo de perto. A exposição é a oportunidade ideal para analisar a qualidade e a importância destas e de outras 140 obras que estarão em pregão.

Detalhes da Exposição:

  • Período expositivo: de 18 a 26 de de outubro
  • Horário: 2ª a 6ª das 11h às 18h; sábados e domingos: das 11h às 17h
  • Local: Av. Nove de Julho, 5144, Jardim Europa, São Paulo – SP

    O catálogo completo está disponível para consulta e lances em nossa plataforma. Clique no botão abaixo e confira todos os lotes!

Leilão online e presencial
Dia 28/10, às 20h
Av. Nove de Julho, 5144, Jardim Europa, São Paulo – SP